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Parto prematuro e TDAH. Existe relação?
14 de março de 2019


Apesar de todos os cuidados no período pré-natal, a gestação do bebê de Natália não chegou a completar as 40 semanas e seu bebê nasceu prematuro, com 36 semanas. Depois de dias e noites de muitas expectativas e incertezas, finalmente ela pode levar seu bebê para casa. Mas então começaram novas dúvidas sobre a prematuridade e suas consequências para o desenvolvimento do bebê. Na consulta com o neuropediatra ela soube que existe uma relação já comprovada por pesquisas entre a prematuridade e a hiperatividade e ela acontece mesmo quando não existem antecedentes genéticos e outras causas já conhecidas.¹

Essa relação entre TDAH e prematuros deve ser sempre abordada nas consultas para que os pais fiquem alertas ao comportamento dos bebês e saibam como agir para apoiar os filhos desde muito cedo. Também pode ocorrer que os sintomas de hiperatividade nesses bebês passem despercebidos e os pais só descubram os sintomas do TDAH na idade escolar. Nesse caso também é importante relatar o tempo de gestação ao profissional que estiver acompanhando a criança para que ele possa relacionar a prematuridade e a dificuldade de aprendizagem, característica do transtorno.

Inclusive, essa relação entre o nascimento precoce e TDAH, já foi confirmada por pesquisa publicada no “JAMA Pediatrics”¹, que analisou dados de 113 mil crianças na Noruega e teve como primeira autora Helga Ask, do Instituto Norueguês de Saúde Pública.

O estudo mostrou que as crianças que nasceram de parto prematuro apresentaram mais sintomas de déficit de atenção e hiperatividade que os nascidos no tempo considerado adequado.¹ Os cientistas observaram que o parto prematuro pode contribuir para aumentar o risco de TDAH na pré-escola (por volta dos 5 anos) e de desatenção na idade escolar (por volta dos 7 anos).

Essa relação é um alerta para que a ciência observe mais atentamente como o tempo da gestação interfere no cérebro e no desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos. É importante destacar que os autores diferenciaram o TDAH dos sintomas de desatenção somente, afirmando que: “Descobrimos que o nascimento precoce está associado a sintomas de TDAH em idade pré-escolar e sintomas de desatenção em crianças em idade escolar.”

Os cientistas cruzaram os dados dos sintomas de TDAH e desatenção com a idade gestacional e os resultados mostraram não apenas a maior presença de sintomas nos nascidos precocemente como também apontaram para uma diferença mais pronunciada em algumas idades.

  • Os sintomas de TDAH foram mais comuns em crianças com 5 anos de idade;
  • Os sintomas de desatenção foram mais presentes em crianças com 8 anos;
  • Na idade pré-escolar, a associação entre parto prematuro e TDAH foi mais comum em meninas.

Na conclusão, os autores do estudo destacaram a importância de pesquisas que avaliem o impacto do parto prematuro e ainda pontuaram a necessidade de mais estudos que avaliem a diferença por gênero encontrada.

O bebê prematuro e o TDAH

O neuropediatra Dr. Júlio Koneski explica a relação entre nascimento precoce e TDAH, esclarecendo porque alguns bebês prematuros podem vir a ser hiperativos e como identificar e prevenir a hiperatividade nos bebês.

Ao abordar a maturação cerebral do prematuro, o Dr. Koneski esclarece que o cérebro nasce muito imaturo porque ainda não tem a mielina desenvolvida adequadamente. Ela se desenvolve nas últimas 6 a 8 semanas de gestação, quando está muito próximo do bebê nascer.

A mielina já vem se desenvolvendo antes, mas precisa da fase final da gestação e quando o nascimento é prematuro não existe esse aporte materno. Existe ainda a necessidade de ácidos graxos de cadeia muito longa como o Omega 3 e DHA que são muito importantes. O bebê até adquire depois, mas de maneira mais inadequada.

Outros fatores que interferem são o pico de hormônio e o excesso de corticóides que esses bebês têm quando nascem prematuros.

Também existe o impacto da síndrome da criança vulnerável, porque o bebê prematuro fica longe do toque da mãe, sofre, é muito manuseado, tem dor. Tudo faz com que as crianças fiquem mais suscetíveis às situações ambientais que podem influenciar no desenvolvimento da hiperatividade, mas não se sabe exatamente quanto.

O normal é nascer com 38 semanas de gestação, os que nascem com 36 à 37 semanas já têm 3 vezes mais chances de crescer hiperativos¹.

O neuropediatra explica ainda como identificar esses bebês e como prevenir a hiperatividade. O primeiro passo é prevenir a prematuridade, especialmente com um pré-natal bem feito, com acompanhamentos regulares, exames adequados e controle de pressão e diabetes.

Porém, se o bebê nascer prematuro, apesar de todos os cuidados durante a gestação, é importante observar os primeiros indícios de TDAH nos primeiros meses de vida: bebê muito irritado, muito chorão, que acorda muito à noite, não consegue estabelecer uma rotina adequada de sono e alimentação. Depois de 6 meses o que chama a atenção de que podem ser bebês com hiperatividade é que eles são extremamente alertas, atentos a tudo e ávidos para pegar as coisas.

Logo depois, quando eles ficam cada vez mais inquietos, eufóricos e excitados, os pais precisam compreender que existe uma relação diferente e aprender como lidar com essas crianças. As famílias também precisam saber que terapias são possíveis de se fazer com os bebês e, acima de tudo, estar alertas porque frequentemente essas crianças podem atrasar a fala e o aprendizado escolar.

Enfim, quanto mais cedo os pais estiverem atentos a todos esses fatores, mais rapidamente os profissionais especializados podem intervir para garantir um futuro muito melhor a esses bebês que já começam a vida com um gás total.

 

Referências:
1. JAMA-NETWORK. Association of Gestational Age at Birth With Symptoms of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Children. Disponível em: <https://jamanetwork.com/journals/jamapediatri-cs/article-abstract/2685909> Acesso em: 04 Fev. 2019.

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