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Mitos e verdades sobre o TDAH
14 de novembro de 2019


Marina é mãe de duas crianças com TDAH e, claro, depois de diagnosticar os filhos ela também se identificou com os sintomas e acabou descobrindo a causa de tantas dificuldades enfrentadas desde a infância. Tudo o que ela quer agora é que Davi e Fernanda não sejam tachados de “preguiçosos”, “burros”, “desmotivados” e tantos outros comentários negativos que marcaram de forma tão negativa toda a sua vida.

Seus pais também sofreram com acusações constantes de que “a filha era assim porque vinha de uma família desajustada e encrenqueira” ou que “não sabiam como educar e ensinar um bom comportamento”. Os mitos sobre o TDAH são uma das muitas dificuldades enfrentadas pelos portadores do transtorno e seus pais. Algumas falas e acusações infundadas vêm até mesmo de pessoas próximas, de dentro das famílias, amigos ou professores. Nem todas mal intencionadas, mas quase sempre envolvem o desconhecimento das verdades sobre TDAH.

As descobertas da neurociência, da imagem cerebral e da pesquisa clínica, substituíram antigas compreensões pelo entendimento de que o TDAH é um comprometimento do desenvolvimento do sistema de autogerenciamento do cérebro, suas funções executivas. Uma síndrome que faz com que algumas crianças e adultos tenham grande dificuldade em focar e gerenciar muitos aspectos de sua vida cotidiana, enquanto são capazes de focar bem em outras tarefas.1

Apenas um profissional de saúde pode realizar a avaliação e diagnóstico de TDAH dos pacientes, recomendando os tratamentos que certamente vão evitar os equívocos decorrentes dos mitos que envolvem esse transtorno. Quase sempre resultado de ideias falsas e sem embasamento científico, esses mitos do TDAH só prejudicam os portadores, colocando-os muitas vezes em situações constrangedoras e até mesmo afastando-os dos tratamentos que proporcionam alívio.

Mitos e Verdades sobre TDAH que envolvem idade e gênero

 

  • Mito: As crianças com TDAH não são diferentes das demais. Nenhuma criança consegue ficar quieta ou prestar atenção por muito tempo seguido.2

Verdade: as capacidades de controle da atividade motora, dos impulsos e da capacidade vão se desenvolvendo no período da infância. A diferença é quantitativa e não qualitativa. Tudo que uma criança com TDAH mostra no seu comportamento, as demais também apresentam, só que nas portadoras de TDAH isto aparece de forma mais intensa, frequente e trazendo inúmeros prejuízos em todas as esferas de sua vida: escolar, familiar e social.

  • Mito: O TDAH é um transtorno muito mais frequente no sexo masculino.2

Verdade: Durante muitos anos a hiperatividade foi considerada o sintoma mais importante do TDAH e, como os meninos costumam apresentar mais hiperatividade que as meninas, acreditou-se que esse problema seria bem mais comum no sexo masculino.
Quando as dificuldades de atenção se tornaram mais observadas nos diagnósticos que a hiperatividade também ficou evidente que a hiperatividade é menos comum nas meninas, que apresentam o tipo “Predominantemente Desatento”. Por ser menos evidente, esse tipo pode passar mais tempo sem ser identificado, ou ser facilmente confundido com outras condições. Também é fato que essa diferença fez com que a maior parte das pesquisas se concentrasse nos meninos.

  • Mito: Os sintomas de TDAH geralmente desaparecem espontaneamente no final da adolescência.2

Verdade: Era exatamente isso que se pensava enquanto o fator hiperatividade era o mais importante, considerando que existe uma tendência da hiperatividade declinar com o passar dos anos, ao passo que os sintomas de desatenção tendem a persistir. Na verdade nem sempre a hiperatividade desaparece, ela apenas evolui de acordo com a idade.

  • Mito: Se uma criança com TDAH consegue fazer com muita atenção uma atividade do seu interesse e não consegue fazer os deveres escolares, a razão para isso parece ser a falta de vontade ou motivação.2

Verdade: o termo “déficit de atenção” provavelmente será substituído no futuro, pois o que ocorre é uma inconstância ou má-regulação da atenção. Existe um prejuízo na capacidade de dirigir sua própria atenção, ou seja, uma dificuldade na atenção voluntária. Na verdade a criança com TDAH tem hiperfoco e costuma, em alguns casos, concentrar-se com maior facilidade em atividades mais dinâmicas, motivantes, lúdicas e pouco repetitivas.

  • Mito: Apresentar TDAH na infância traz poucas consequências para a vida da pessoa e, por isso, não se justifica um tratamento nessa idade.2

Verdade: Alguns casos de TDAH menos intensos, quando acompanhados de alto nível intelectual e ambiente familiar bem estruturado, podem passar pela vida sem grandes prejuízos na sua qualidade de vida. Porém, na maior parte dos casos, o TDAH compromete a qualidade de vida da pessoa e, sem dúvida, isto significa que ela seria capaz de desenvolver melhor o seu potencial se recebesse tratamento. Prejuízos na auto estima, rendimento escolar e profissional abaixo da real capacidade, conflitos com colegas e cônjuges, maior comorbidade com outras doenças, maior tendência a ter múltiplos casamentos, gestações indesejadas, abuso de álcool e drogas, são algumas das possíveis consequências da falta do tratamento do TDAH.

  • Mito: TDAH e Hiperatividade são sinônimos. Todas as crianças com TDAH são hiperativas.2

Verdade: Os sintomas de Hiperatividade só estão presentes no tipo combinado e predominantemente hiperativo. No tipo predominantemente desatento não está presente o sintoma de hiperatividade.

  • Mito: Uma vez diagnosticada como TDAH, a criança tem uma boa desculpa para seu rendimento escolar prejudicado.2

Verdade: O TDAH é um transtorno da atenção. Uma vez que a atenção e concentração são condições necessárias para todo e qualquer processo de aprendizagem, o TDAH interfere no desempenho acadêmico e escolar global.

Mitos e Verdades do TDAH que envolvem as comorbidades

 

  • Mito: A maioria das crianças com TDAH também tem problemas de comportamento do Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), que geralmente levam a comportamentos mais graves do Transtorno de Conduta.1

Verdade: Entre as crianças com TDAH, a incidência de Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) varia de 40% a 70%. As taxas mais altas são geralmente para pessoas com o tipo combinado de TDAH, em vez do tipo desatento. Esse distúrbio é caracterizado por problemas crônicos de comportamento negativista, desobediente, desafiador e/ou hostil em relação a figuras de autoridade.

  • Mito: Indivíduos com um Transtorno do Espectro Autista não devem ser diagnosticados com TDAH e vice-versa. Estes são distúrbios separados que requerem tratamentos diferentes.1

Verdade: A pesquisa demonstrou que muitos indivíduos com TDAH apresentam traços significativos relacionados aos Transtornos do Espectro Autista e que muitas pessoas diagnosticadas com transtornos no Espectro Autista também atendem aos critérios de diagnóstico para TDAH.

  • Mito: O TDAH é apenas um dos muitos tipos de distúrbios psiquiátricos.1

Verdade: As deficiências da função executiva que constituem o TDAH também estão subjacentes a muitos outros distúrbios. Distúrbios psiquiátricos e de aprendizado podem ser comparados a problemas com um pacote de software de computador específico que, quando não funciona bem, interfere apenas na redação de texto ou na contabilidade. Nesse novo modelo, o TDAH pode ser comparado a um problema no sistema operacional do computador, que provavelmente interfere na operação efetiva de uma variedade de programas diferentes.

Enfim, sempre é bom lembrar que os mitos sem base científica apenas geram mais confusão e ampliam os problemas. TDAH não é desobediência, falta de educação ou birra. Não é causado por muito açúcar, videogame, pais que brigam ou famílias desajustadas. Castigo e espancamento não curam e comentários depreciativos não só contribuem para criar novos mitos sobre o transtorno, como afetam profundamente os portadores e suas famílias.

Todos passam a sofrer duplamente, tanto com os efeitos reais do TDAH, como com a depreciação que vem da ignorância sobre a realidade, o que poderia ajudar a todos. Por isso é tão importante separar os mitos das verdades sobre o TDAH.

Referências:
1 ADDITUDE. What-Is-ADHD?-Definition,-Myths-&-Truth. Disponível em: <www.additudemag.com/adhd-definition/>. Acesso em: 11 de Out. de 2019
2 ABDA. TDAH:-MITOS-E-SUAS-CONSEQUÊNCIAS. Disponível em: <tdah.org.br/mitos-sobre-o-tdah-e-suas-consequencias/>. Acesso em: 11 de Out. de 2019

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