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Como é ser pai ou mãe com TDAH? E se meu filho também tiver o transtorno?
15 de setembro de 2018


Paola olha para a foto dos seus três filhos adultos, formados, profissionalmente bem sucedidos e nem acredita. A família passou por momentos de muita tensão, com dois filhos portadores de TDAH, pai TDAH e mãe TDA. Falta um H aí, mas é porque as mulheres normalmente são mais desatentas e menos hiperativas. Diagnóstico? Só dos filhos e então os pais se viram com o mesmo problema, na verdade com um certo alívio ao saber que todas as confusões da vida têm nome, sigla, sintomas e tratamento. Ufa!

Muitas chaves da casa esquecidas, carteiras perdidas, um saía com o carro do outro sem perceber, as crianças ficavam na escola e a professora levava para casa porque alguém não foi buscar. Algumas situações hilárias que até hoje fazem parte do folclore familiar e trazem de volta o que se tornou um padrão entre pais e filhos: rir de tudo para um não querer matar o outro. Outras de grandes conflitos, provocados pela impulsividade de um dos filhos, notas baixas, professores impacientes, carro apreendido no posto policial, CNH suspensa por multas.... Aquelas cenas que ninguém quer ver, menos ainda participar. Nada que o amor, a dedicação incansável da família e o apoio de bons profissionais não possa superar ao longo do tempo.

Se para os pais sem o quadro típico de distrações e hiperatividade já é extremamente complexo criar um filho com o transtorno, imaginem para um casal também portador de TDAH! Para as mães então, a situação pode ser ainda mais estressante porque a mulher acumula muitas responsabilidades da casa, principalmente em relação às crianças. Ao perceber o marido TDAH ela pode se esforçar ainda mais para assumir sozinha o cuidado com os filhos, num efeito cascata que só agrava sua já precária situação emocional.

Considere que as mulheres com déficit de atenção já passaram a vida sendo chamadas de avoadas, distraídas e outras classificações não menos pejorativas. Com a autoestima lá embaixo a mãe ainda tem que lidar com uma sobrecarga imensa, tanto de tarefas, quanto de emoções conflitantes. Ela nunca sabe onde termina a sua própria dificuldade e começa a do filho TDAH.

O que fazer então?

Entre as dicas para pais com TDAH1 , a mais importante é  buscar ajuda profissional e se tratar primeiro. Isso pode contribuir efetivamente para o suporte e orientação dos pais, de forma que encontrem um equilíbrio para lidar com os sintomas e assim possam apoiar seus filhos. Ao contrário acontece um efeito dominó, em que a criança sofrerá todas as consequências.

Há uma chance de 60% de que a mulher ou o seu companheiro também apresentem o diagnóstico se o filho tem TDAH.

Estudos revelaram que em famílias com duas crianças com TDAH, a chance de que a mãe ou o pai tenham o transtorno é a mesma.2

Considerando que uma das causas do transtorno pode ser genética, lidar com o duplo TDAH acontece em muitas famílias. Até por isso recomenda-se abordar o TDAH como uma questão familiar e não apenas como um problema da criança. Se a mãe também apresentar o transtorno ela precisa de um apoio extra para auxiliar  a criança, o que nem sempre acontece.

Para completar existem expectativas do papel tradicional das mulheres em relação ao gerenciamento da casa e às responsabilidades com os filhos que elas nem sempre conseguem atender,  com as dificuldades de função executiva típicos do transtorno.

Ao invés de apoiar, outras pessoas da família criticam, quando na verdade as mulheres precisam de suporte e compreensão para que possam exercer sem tanto sofrimento a sua maternidade TDAH. Vamos lembrar que  os conflitos não ajudam os portadores, sejam eles os pais ou os filhos.

O quadro muda quando todos passam a reconhecer os desafios domésticos, especialmente para as mães que  precisam deixar os sentimentos de culpa e perdoar a si mesmas.

Para melhorar o contexto é preciso simplificar a vida e contar com a ajuda de outros membros da família, o que inclui a resolução de problemas em conjunto. Até porque as famílias funcionam melhor quando trabalham como uma equipe, com divisão de tarefas e responsabilidades.

Claro que os portadores de TDAH vão esquecer as suas tarefas, mas um bom quadro de avisos pode resolver muita coisa, até mesmo com  o apoio de aplicativos como o FOCUS.

Para que tudo fique ainda melhor, lembre que você, mãe ou pai TDAH, tem algumas qualidades inerentes ao transtorno, como a capacidade de ter empatia e encontrar soluções criativas, o que ajuda muito a criar um lar amoroso, carinhoso e emocionante para todos.

Quando a família aprende a apreciar os dons e minimizar os pontos fracos do TDAH tudo muda no ambiente familiar. Com o tempo o que prevalece na lembrança de cada um é apenas o amor construído no meio das dificuldades, exatamente o que ajuda a superar os desafios.2

Um bom conselho para os pais com TDAH pode ser inspirado pelos alertas no início do vôo: “Em caso de despressurização, se estiverem acompanhados de crianças, primeiro coloquem as máscaras em si para depois colocá-las nas crianças.” O que na prática significa que os pais com TDAH devem primeiro buscar ajuda para si próprios, com tratamento e orientação que tragam mais equilíbrio, de forma que possam transmitir mais segurança e tranquilidade aos seus filhos, portadores ou não de TDAH.

Com o suporte equilibrado  dos pais a criança poderá desenvolver todo o seu potencial, o que certamente vai influenciar a qualidade de vida em todas as fases. Um alicerce familiar amoroso,  estimulante e seguro permite que a criança desenvolva a  auto estima e aprenda a:

  • aceitar-se;
  • amar-se;
  • confiar em si e no futuro; e 
  • a ter o poder do comando de si.

Essa base oferece uma estrutura sólida para que a criança aprenda a lidar com as dificuldades, superando os rótulos e discriminações que podem vir ao longo da sua vida. Além disso, o alicerce amoroso, estimulante e seguro do ambiente familiar torna mais fácil a colocação de limites e a regulação do auto-controle, tão necessários aos portadores de TDAH.

A criança com TDAH não tem problemas de aprendizado e sim de realização, onde o comportamento inibitório é um fator fundamental no desenvolvimento das funções atencionais e executivas, no controle dos impulsos, na disciplina e na organização, que são características básicas e necessárias tanto  para o aprendizado, quanto para a realização de qualquer tarefa e para convívio social.

Claro que o papel dos pais nesse processo é essencial para os filhos e isso fortalece ainda mais a necessidade de um tratamento que permita atender a tantas demandas superando as próprias dificuldades.3

 

 

Referências:
1. GOOGLE-LIVROS. Vencendo o TDAH. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=ZE1CDQAAQBAJ&pg=PA203&lpg=PA203&dq=como+%C3%A9+ser+m%C3%A3e+tendo+tdah&source=bl&ots=7GD4ARkZj2&sig=pnM3e1ELkI8MnRSZiQU93y4I16w&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjoqfzg8uDcAhVGh5AKHVErDFs4FBDoATAFegQIBBAB#v=onepage&q=como%20%C3%A9%20ser%20m%C3%A3e%20tendo%20tdah&f=false>. Acesso em: 09 Set. 2018.
2. TUDO-SOBRE-TDAH. Ser uma mãe com TDAH. Disponível em: <https://www.tudosobretdah.com.br/ser-uma-mae-com-tdah/>  Acesso em: 09 Set. 2018.
3. UNIVERSO-TDAH. Pais com TDAH. Disponível em: <http://www.universotdah.com.br/pais-com-deficit-atencao.html>  Acesso em: 10 Set. 2018.

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