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Adultos com TDAH vivem no mundo da lua?
12 de setembro de 2016


“O porta-malas estava carregado e o coração nem se aguentava mais de tanta ansiedade. Pedro estava de partida para uma nova etapa de vida. A viagem durou 14 horas e dentro de três dias seria a tão esperada cerimônia do casamento. Mas, surpresa! Ao descarregar as malas ele descobriu que tinha esquecido justamente o terno! Quase uma tragédia, considerando que foi feito sob medida. Mas o noivo foi salvo pela vizinha que tinha a chave e enviou por Sedex.”
Esse e outros esquecimentos, motivados pela desatenção acompanharam desde criança a vida de Pedro. Ele sofreu muito até se tornar um adulto bem sucedido, formado na profissão que escolheu e prestes a se tornar um “pai de família” responsável. Mas luta todos os dias para vencer a ansiedade e as dificuldades de organizar o tempo e conviver em equilíbrio com todos.
Quando criança e seu comportamento se tornou impraticável, todos desconfiaram de TDAH, mas a mãe se recusava a dar remédios ao filho e não buscou ajuda psicológica. Assim, a infância agitada passou entre conflitos e apoios, enquanto os pais e professores particulares tentavam driblar as dificuldades, não sem antes enfrentar escolas despreparadas. O boletim tinha sempre notas vermelhas, ele não conseguia parar sentado para fazer as tarefas, uma professora disse para os pais que ele era autista, a diretora reclamava do comportamento e das constantes brigas com os colegas. Enfim, motivos não faltavam para ser a criança que parecia fazer tudo errado e receber críticas veementes que quase destruíram sua auto-estima.
Mas o menino que tinha tudo para fracassar acabou entrando na faculdade, venceu vários concursos de criatividade em design, mostrando a todos e especialmente a si mesmo que talento e força de vontade podem superar limitações impostas por um distúrbio como esse. Mesmo com todo reconhecimento, quando se formou e a ansiedade atrapalhava as entrevistas de emprego ele foi buscar ajuda de um psiquiatra especialista em TDAH e se tratou com remédios e terapias.
Etapa vencida, emprego arrumado, vida nova que se inicia, ele continua atento aos sintomas, faz academia, caminha e pratica judô. Muitas vezes esquece de pagar as contas, perde a chave do carro, chega atrasado aos compromissos. Mas todos os dias se organiza buscando superar as dificuldades de memória, desatenção e impulsividade.
Se comparado com seu comportamento da infância ele melhorou consideravelmente. Mas um adulto que se descobre TDAH pode levar um grande susto com os sintomas, porque conviveu com eles a vida toda sem entender as causas e talvez já esteja até sofrendo muitas conseqüências ruins.
O transtorno do TDAH, que ocorre em 3 a 5% das crianças, acompanha a pessoa na vida adulta em mais da metade dos casos. O transtorno, que se manifesta desde a infância, em muitos casos só é diagnosticado na fase adulta, quase sempre quando os sintomas começam a provocar problemas mais graves. Embora se tornem menos inquietos, os adultos com TDAH são desatentos e esquecidos, impulsivos com dificuldade de avaliar como seu comportamento afeta os outros. E em muitos casos os sentimentos de inadequação podem levar à depressão e ao uso de drogas e álcool.
Muitas histórias como a de Pedro se repetem pelo mundo. Algumas com final feliz, outras nem tanto. Adultos que conviveram com o TDAH toda uma vida sem saber e um dia descobrem a causa das suas dificuldades cotidianas. Adultos que não conseguem se organizar, cumprir compromissos, finalizar tarefas e acabam gerando conflitos familiares ou no ambiente profissional. Quando finalmente recebem o diagnóstico do transtorno TDAH e seguem os tratamentos podem sentir um grande alivio em todos os campos de sua vida. Sim, eles podem até viver no mundo da lua, mas quando estão no mundo real se tornam mais capazes de caminhar com mais segurança.

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